Esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica, caracterizada pela perda do contato com a realidade. O portador pode ficar fechado em si mesmo, com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, em certos casos, ter alucinações e delirar. Ele ouve vozes que ninguém mais escuta e pode imaginar estar sendo vítima de um complô tramado contra si com o propósito de destruí-lo. Não há bom senso nem argumento que o convença do contrário.

Há algumas décadas, essas pessoas eram internadas em sanatórios para loucos, porque se sabia pouco a respeito da doença. Entretanto, nas últimas décadas, houve grande avanço na pesquisa e no tratamento da esquizofrenia, hoje se sabe que quanto mais cedo for tratada, menos danos fará aos portadores.

SINTOMAS

Existem relatos históricos de casos de psicose que, de acordo com os critérios atuais de diagnóstico, podem ser classificados como esquizofrenia. Então é seguro dizer que a esquizofrenia é uma doença da natureza humana e que sempre existiu, pelo menos é o que indicam descrições históricas muito antigas.

De maneira bem simples, podemos dizer que existem dois tipos de sintomas: os produtivos e os negativos. Os produtivos são, os delírios e as alucinações. O delírio é caracterizado por uma visão distorcida da realidade. O mais comum, é o delírio persecutório. A pessoa acredita que está sendo perseguido e observado por pessoas envolvidas em uma trama contra ele. Imagina, que instalaram câmeras de vídeo em sua casa para o observar e assim prejudicá-lo.

As alucinações ocorrem independente de estímulos externos. Exemplo: o paciente ouve vozes, em geral, de perseguidores, que dão ordens e criticam o que ele faz. São vozes autoritárias que podem induzir ao suicídio, ordenando que se jogue de um prédio ou de uma ponte.

Delírios e alucinações são  dois sintomas produtivos que respondem mais rapidamente ao tratamento. Já no outro extremo, estão os sintomas negativos, mais resistentes ao tratamento, e que são caracterizados pela diminuição dos impulsos, da vontade e por redução afetiva. Existe perda da capacidade de entrar em sintonia com o ambiente, de sentir alegria ou tristeza em relação à situação externa.

Para o portador, existe uma lógica perfeita em seu delírio, só que esta lógica não corresponde à realidade. Uma característica marcante do delírio, justamente a que o diferencia do erro, é que não se consegue removê-lo com argumentação lógica. A convicção é absoluta e tentar convencê-lo, é inútil. Ouvir que não está sendo perseguido ou que está imaginando coisas já é o bastante para achar que está na frente de mais um de seus perseguidores, de alguém que faz parte do complô montado para destruí-lo.

Cerca de 80% das crises começam com os sintomas negativos. Delírio e alucinação chamam mais a atenção. Já os sintomas negativos ocorrem mais no íntimo das pessoas e são menos evidentes para os outros. Às vezes a pessoa, de repente, não vai trabalhar, não fala nada com ninguém e fica o dia todo deitado, bebendo café e fumando. A família observa o olhar distante, como se ele estivesse em outro mundo. Ele não liga para o que acontece ao seu redor, não faz a higiene pessoal nem se alimenta., Esses sintomas, geralmente marcam o início da crise, é uma fase marcada por tensão e ansiedade enormes. A pessoa percebe que alguma coisa está acontecendo, mas não sabe o que é.

Ele percebe que alguma coisa está acontecendo a seu redor, mas acredita que são coisas que os outros estão tramando contra ele. Isso é muito característico na esquizofrenia. O portador se acha uma vítima das circunstâncias, quando na verdade, não tem consciência crítica de que está adoecendo.

EVOLUÇÃO DA CRISE

A evolução da doença varia de indivíduo para indivíduo. O processo esquizofrênico pode levar anos. Na fase inicial, tem a sensação de que alguma coisa está acontecendo, mas não sabe o quê, existe muita tensão e ansiedade. Então, ele acha, por exemplo: que está sem forças porque estão tramando alguma coisa contra ele e que colocaram veneno em sua comida que o está enfraquecendo.  Este delírio já é o suficiente para diminuir o nível de tensão e ansiedade. É como se a pessoa tivesse uma dor de causa desconhecida e, de repente, chegasse a um diagnóstico que, de algum modo, a tranquilizasse.

Durante um certo tempo, enquanto a vontade e os impulsos ainda estão preservados, o paciente consegue executar suas tarefas, mas a partir do momento em que são diminuídos, a atividade do dia a dia fica bastante prejudicada. Em um estágio mais avançado, ocorre perda cognitiva, de concentração e memória.

FAMÍLIA E USO DE DROGAS

Quando a pessoa está em crise a família reage com perplexidade. Eles não encontram explicações para a mudança de comportamento e uma das primeiras dúvidas é se a pessoa não estaria usando drogas. Quando começam as alucinações, aumenta a suspeita de que isso possa realmente estar acontecendo.

Na verdade, o uso de drogas não é raro na esquizofrenia, é uma de suas conseqüências. Sabemos que, no início, algumas drogas exercem certo efeito sedativo, tranquilizante, e que em fases de ansiedade e tensão podem melhorar o humor do paciente.

A droga mais utilizada é o álcool. A maconha também, porém com menos frequência. O consumo de outras drogas costuma ser raro.

É sempre bom lembrar que as anfetaminas, quando usadas em excesso, podem provocar psicoses clinicamente idênticas à esquizofrenia. Clinicamente, é impossível diferenciá-las. Por isso, o melhor modelo artificial de uma psicose esquizofrênica é o causado pelas anfetaminas. A cocaína também pode provocar quadros psicóticos semelhantes, mas não tão característicos quanto aos das anfetaminas.

O álcool pode desencadear paranóias. A grande diferença entre a paranóia da esquizofrenia e a do álcool é que na do álcool, os pacientes reconhecem a anormalidade da situação e pedem ajuda. Isso não ocorre pelo menos no primeiro surto esquizofrênico. Com o tempo, alguns pacientes aprendem a identificar os pródomos da doença, as manifestações que antecedem a crise. Então ligam para o médico e pedem ajuda, querem ajustar a medicação. Infelizmente, aproximadamente apenas cerca de 20% dos pacientes esquizofrênicos têm essa capacidade de perceber que a crise psicótica está voltando.

QUESTÃO DE GÊNEROS

A esquizofrenia se manifesta em pessoas jovens. O pico da manifestações se dá, no homem, por volta dos 25 anos de idade. Na mulher a doença ocorre mais tarde, por volta dos 29/30 anos. A incidência, entretanto, é igual nos dois sexos. A proporção é de um homem para cada mulher com a doença.

A esquizofrenia é mais benigna na mulher. Provavelmente por dois fatores: a manifestação ocorre mais tarde e elas se casam mais cedo. Portanto, antes da manifestação da psicose, a mulher tem a possibilidade de construir uma rede social e familiar que vai ajudá-la no decorrer da doença. Coisas simples como tomar medicação de forma adequada e procurar o médico precocemente fazem muita diferença.

o homem, por casar-se mais tarde e a doença manifestar-se mais cedo, não construiu ainda uma estrutura familiar que lhe dê apoio. Existe outro motivo, que ainda é objeto de pesquisa, que faz com que a doença seja mais leve na mulher, que são os hormônios sexuais femininos, os estrógenos principalmente, eles têm na célula nervosa um efeito parecido com os dos antipsicóticos. É como se a mulher produzisse seu próprio antipsicótico protegendo-a das manifestações da doença.

É raro o homem ter sua primeira crise depois dos 40 anos. Entretanto, aproximadamente 10% das mulheres têm o primeiro surto psicótico esquizofrênico após os 45 anos, justamente no período em que ocorre a menopausa e cai a produção de estrógenos.

PREVALÊNCIA

A esquizofrenia é uma doença frequente e universal que ocorre em 1% da população em todos os povos, etnias e culturas. Existem estudos comparativos indicando que se manifesta igualmente em todas as classes socioeconômicas nos países ricos e pobres. Em cada 100 mil habitantes, surgem de 30 a 50 casos novos por ano. 5% da população mundial têm esquizofrenia. Em termos de Brasil, isso significa que 800 mil habitantes são portadores dessa doença.

FATORES AMBIENTAIS E GENÉTICOS

Existe um componente genético importante. O risco sobe para 13%, se um parente de primeiro grau for portador da doença. Quanto mais próximo o grau de parentesco, maior o risco, chegando ao máximo em gêmeos univitelinos. Se um deles tem esquizofrenia, a possibilidade de o outro desenvolver o quadro é de 50%.

Estudos genéticos são o demonstram que nem tudo é genético. Existe uma contribuição ambiental. infelizmente até hoje não se conseguido isolar um único fator que aumente com certeza o risco.